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Membrana Epirretiniana
A membrana epirretiniana é uma doença da mácula, a parte central da retina responsável pela visão de detalhes finos, leitura e reconhecimento de rostos.
Ela ocorre quando uma fina película de tecido fibroso cresce sobre a superfície da mácula, repuxando e enrugando a retina.
Esse “repuxamento” altera a anatomia da mácula e provoca distorção e borramento da visão central.
O que é a membrana epirretiniana
Com o passar do tempo ou após certas doenças oculares, o gel vítreo (substância que preenche o interior do olho) pode se descolar naturalmente da retina — um processo normal do envelhecimento.
Durante esse processo, células podem se depositar sobre a mácula e formar uma membrana fina e translúcida, semelhante a um “filme plástico”.
Essa película contrai-se lentamente, puxando a retina e deformando a sua superfície.
A doença é também conhecida como pucker macular ou retinopatia celofane, dependendo da espessura e do grau de distorção.
Uma condição geralmente silenciosa e progressiva
Na maioria dos casos, a membrana epirretiniana se desenvolve de forma lenta e silenciosa.
O paciente pode enxergar normalmente por meses ou anos, percebendo sintomas apenas quando a mácula já está significativamente afetada.
Por isso, a avaliação periódica com o oftalmologista é essencial para detectar alterações precocemente.
Principais causas e fatores de risco
- Envelhecimento natural do vítreo (causa mais comum)
- Descolamento do vítreo posterior (PVD)
- Cirurgias oculares prévias (como catarata)
- Doenças inflamatórias oculares
- Retinopatia diabética
- Descolamento de retina prévio
- Traumas oculares
Em alguns casos, não há causa identificável — são chamados de idiopáticos.
Sintomas
Os sintomas variam conforme o grau de tração sobre a mácula e podem incluir:
- Visão borrada (principal queixa inicial)
- Distorção das imagens (linhas retas parecem tortas ou onduladas — metamorfopsia)
- Dificuldade para ler letras pequenas
- Diferença de tamanho entre as imagens dos dois olhos (micropsia)
- Redução da acuidade visual central
A visão periférica costuma permanecer normal.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por oftalmologista especializado em retina, por meio de:
- Exame de fundo de olho (mapeamento de retina)
- Tomografia de Coerência Óptica (OCT) — o exame mais importante, pois mostra a presença, espessura e grau de tração da membrana sobre a mácula
O OCT permite acompanhar a evolução da doença e definir o momento ideal para tratamento.
Tratamento
O tratamento depende do grau de distorção da retina e do comprometimento visual.
Acompanhamento clínico
Nos casos leves e estáveis, com visão preservada e pouca distorção, o oftalmologista pode apenas observar e monitorar com exames periódicos.
Muitos pacientes mantêm boa visão sem necessidade de cirurgia.
Cirurgia (vitrectomia com peeling de membrana)
Quando há queda significativa da visão ou distorção importante, o tratamento indicado é a vitrectomia posterior com remoção da membrana epirretiniana.
Durante a cirurgia:
- O gel vítreo é removido;
- O cirurgião identifica e retira cuidadosamente a membrana da superfície da mácula, utilizando instrumentos de alta precisão;
- Em alguns casos, também é removida a membrana limitante interna (ILM) para reduzir o risco de recidiva.
O procedimento é feito em centro cirúrgico, com anestesia local e alta no mesmo dia, na maioria das vezes.
Recuperação e resultados
Após a cirurgia:
- A visão melhora gradualmente ao longo de semanas a meses;
- Em muitos casos, há redução da distorção e melhora da nitidez;
- No entanto, se a mácula já estava muito alterada antes da cirurgia, podem persistir sequelas visuais, como leve distorção ou dificuldade para enxergar letras pequenas;
- O objetivo da cirurgia é melhorar a qualidade visual e reduzir a distorção, mesmo que nem sempre a visão volte completamente ao normal.
O uso de colírios pós-operatórios e o acompanhamento regular são essenciais para a boa recuperação.
Quando a visão não volta totalmente
Em alguns pacientes, mesmo com a cirurgia bem-sucedida, a visão não retorna ao que era antes da doença.
Isso ocorre porque o prolongado repuxamento da mácula pode danificar as células fotorreceptoras, responsáveis por captar a luz.
Nesses casos, a retina fica “recolada”, mas com sequelas funcionais, levando a visão central embaçada ou distorcida de forma permanente.
Por isso, o tempo de evolução da membrana é um fator importante: quanto mais cedo for tratada, melhor o resultado visual.
Prevenção e cuidados
- Consultas oftalmológicas periódicas, especialmente após os 50 anos.
- Atenção a sintomas como distorção de linhas, letras deformadas ou dificuldade para ler.
- Controle de diabetes, hipertensão e inflamações oculares, que podem favorecer o surgimento da doença.
- Acompanhamento pós-cirúrgico rigoroso, com uso correto dos colírios e comparecimento às revisões.
A membrana epirretiniana é uma condição geralmente lenta e silenciosa, mas que pode afetar de forma significativa a visão central.
Com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, é possível melhorar a qualidade visual e reduzir a distorção.
Mesmo quando há sequelas, a cirurgia oferece ótimos resultados funcionais e grande melhora na vida diária dos pacientes.
O acompanhamento regular com o especialista em retina é essencial para proteger e preservar a visão.